Miomas no útero – o que todas as mulheres deviam saber

Miomas uterinos não são um problema de “velhinhas”, pelo contrário. Começam geralmente a crescer entre os nossos 20 e 30 anos, apresentando sintomas de maior impacto por volta dos 40: menstruações com mais de sete dias, muito abundantes, dor no ato sexual, dor abdominal ou abdómen distendido, são alguns dos primeiros sinais.

Conhecer as opções de tratamento dos miomas o mais precocemente possível é fundamental, pois para além dos sintomas que podem ter impacto no bem-estar da mulher, podem afetar as possibilidade de fertilidade e gravidez, e aumentar o risco de cancro do útero e de histerectomias (remoção do útero).


O pico de incidência de cirurgia ocorre em mulheres por volta dos 45 anos, tornando os miomas a principal causa de histerectomia na pré-menopausa. A maioria dessas histerectomias, incluindo aquelas feitas em mulheres na faixa dos 20 e 30 anos, podem muitas delas ser desnecessárias, estando ainda muitas mulheres desinformadas sobre as várias alternativas médicas à cirurgia.


O que são miomas?

Os miomas uterinos, propriamente chamados leiomiomas uterinos, variam em tamanho, de praticamente microscópico ao de uma laranja gigante, ou até por vezes, de maiores dimensões. Um útero fibróide é descrito em comparação com o tamanho de útero de uma grávida, como um útero de 16 semanas até 24 semanas. Eles podem crescer sozinhos ou em grupos, e podem crescer em vários locais no útero.

Uma abordagem integrativa pode, portanto, não apenas prevenir e reduzir o tamanho e número dos miomas, mas também ser um plano para otimizar a saúde hormonal feminina.


Quais os sintomas comuns?

Embora nem sempre apresentem sintomas, estima-se que uma em cada três mulheres tenha sintomas, sendo todos os anos um motivo comum de ida ao serviço de urgência.

Os sintomas podem ser leves ou terrivelmente desconfortáveis, podendo incluir:

  • menstruações que duram mais de uma semana

  • fluxo menstrual muito abundante

  • “spotting” (sangramento entre menstruações)

  • dor durante o ato sexual

  • cólicas menstruais intensas

  • sensação de inchaço permanente no abdómen

  • dor lombar ou abdominal

  • prisão de ventre

  • sangramento uterino anormal

  • frequência urinária, urgência ou dificuldade em fazer xixi.

Alguns sintomas são semelhantes à endometriose, portanto, o diagnóstico de um ou outro pode muitas vezes não ter sido feito.


A abordagem convencional

Geralmente, as opções de tratamento dependem de alguns fatores importantes, como a gravidade dos sintomas, o tamanho e a localização dos miomas, a idade da mulher, os planos para engravidar, entre outros.


Na maioria dos casos, se os miomas são pequenos e não causam sintomas, ou ocorrem próximo da menopausa, nenhum tratamento é necessário, apenas manter vigilância. Mas, infelizmente, por não se ter uma abordagem preventiva focada em outros fatores como a dieta e o estilo de vida, muitas histerectomias desnecessárias têm ocorrido em muitas mulheres jovens. Entre as opções convencionais, temos os anti-inflamatórios não esteróides (AINEs), os DIUs hormonais (como o Mirena), as pílulas anticoncecionais, o acetato de ulipristal e as opções cirúrgicas, como miomectomia, ablação endometrial e histerectomia.

Na minha opinião, quando já se tentaram todas as abordagens, a histerectomia tem um lugar e tempo próprios, mas muitas vezes saltaram-se outros passos que poderiam ter sido dados antes do mioma atingir grandes dimensões e ser necessário operar.


A abordagem natural e funcional

Há várias opções mais naturais, mas eficazes no tratamento de muitas disfunções responsáveis pelo crescimento dos miomas. Recorrendo à combinação de estratégias dietéticas, de estilo de vida, nutricionais e hormonais, podemos colher importantes benefícios na prevenção e redução de miomas.


1º passo: reduzir a exposição a disruptores endócrinos

Minimizar a nossa exposição a desreguladores endócrinos ambientais é um passo principal na melhoria dos níveis saudáveis ​​de estrogénio:

  • Evitar o uso de plásticos (mude para garrafas de água de vidro ou aço inoxidável, e recipientes de armazenamento de alimentos, e evite embalagens plásticas).

  • Troque os cosméticos e produtos de cuidados com o corpo por produtos mais naturais.

  • Escolha alimentos orgânicos em vez dos cultivados convencionalmente, sempre que possível, evitando o contacto com pesticidas;

2º passo: dieta anti-inflamatória rica em vegetais

  • Elimine os laticínios — estes contêm uma hormona chamada fator de crescimento, semelhante à insulina 1 (IGF-1), que estimula o crescimento das células, evitando que as não saudáveis ​​façam o que deveriam fazer naturalmente – morrer.

  • Aumente vegetais e frutas para 8 a 10 porções diárias, especialmente as folhas verdes que ajudam a reduzir o excesso de estrogénio, e consuma frutas cítricas.

  • Adicione 2 colheres de sopa de linhaça moída na sua dieta diária.

3º passo: suplementação avançada

  • Vitamina D: a deficiência não só está associada ao aumento do risco de miomas, mas a vitamina D é um poderoso protetor contra o desenvolvimento de miomas uterinos. Recomendo suplementar 2000 UI diariamente mas, para melhores resultados, peça ao seu médico que teste o seu nível de vitamina D e o ajude a suplementar para atingir um nível sanguíneo entre 50 e 80 mg/dL.

  • Extratos de brócolos [DIM, sulforafano, Indole-3-Carbinol (I3C)]: aumenta potencialmente a desintoxicação da fase 2 no fígado e ajuda a metabolizar o estrogénio. Pode tomar Indole-3-carbinol a 300 a 600 mg/dia OU Diindolilmetano (DIM) a 100 a 200 mg/dia.

  • Extrato de chá verde (EGCg): foi considerado útil para reduzir o tamanho e os sintomas dos miomas uterinos, incluindo o intenso sangramento. Pode tomar 800 mg de extrato de chá verde (procure um produto idealmente padronizado para 45% EGCg, 95% polifenóis).

Entre outros suplementos recomendados, temos o ácido alfalipóico, a canela, crómio, berberina, resveratrol, vitaminas B metiladas, como metilcobalamina (B12) e metiltetrafolato (folato, não ácido fólico sintético), magnésio e outros.


Como tantos outros problemas hormonais, precisamos de tempo, pelo que para vermos uma melhoria dos sintomas são necessários pelo menos três a seis meses, sendo que a melhoria dos sintomas é um sinal provável de que o tamanho do mioma está a diminuir.

Para todas as minhas pacientes com miomas, ou com maior risco de miomas, recomendo testes hormonais e a avaliação de deficiência de nutrientes, bem como uma dieta anti-inflamatória.


Se sofre com sintomas ou tem algum familiar com miomas que tenha perdido qualidade de vida, uma abordagem personalizada e funcional pode ser o primeiro passo para determinar se a cirurgia é a opção mais apropriada, mas caso o seja, poderá ser o passo seguinte na recuperação e ajudá-la a prevenir futuras recorrências dos miomas uterinos.